TOLERÂNCIA COM AS DIFERENÇAS, EM NOME DA UNIDADE

Os números mais recentes sobre o emprego no Brasil mostraram que a situação piorou para quem vive de salário: o desemprego aumentou e o trabalho sem carteira assinada atingiu o nível mais alto da série histórica do IBGE. A vida não anda fácil para o trabalhador.

A reforma trabalhista vem assustando quem está sendo demitido e não recebe o que tem direito. Muitos estão preferindo não ir à Justiça, por medo de perder a ação e ter que arcar com os custos do processo e do advogado da outra parte – relembre aqui.

Para quem trabalha em sindicato, a situação também não é boa. Com a arrecadação seriamente comprometida pelo desmonte trabalhista, muitas entidades têm escolhido a solução mais fácil: demitir.

Ao mesmo tempo, não há sinal de que tão cedo a injustiça tributária terá fim. Enquanto isso não acontecer, serão os assalariados – e informais – que continuarão sustentando o Brasil, uma vez que os ricos pagam proporcionalmente menos impostos, quando não são beneficiados pelo abatimento ou mesmo o perdão do que devem.

Também não muda a maneira como o governo trata a dívida brasileira – principal razão para o ataque à previdência e para o sucateamento dos serviços públicos. Como se não bastasse, o petróleo que financiaria a saúde e a educação nos próximos anos está sendo vendido como banana a grupos estrangeiros. Em paralelo, assistimos ao sucateamento crescente do Sistema Único de Saúde (SUS), cujos recursos estão congelados até 2036.

 Não resta alternativa aos trabalhadores senão se unir nesse momento. É hora de esquecer o que nos diferencia e fazer prevalecer o que nos une.

As transformações dependem não só de atitudes concretas. Em geral, são os gestos simbólicos que resumem determinado acontecimento e nos empurram para a mudança.

Por tudo isso, é essencial que os movimentos sindical e social voltem a se juntar como nos anos 1990. A oportunidade está dada – o ato do 1º de maio, na Praça da Cemig 

Temos que reagir.

JUNTOS SEREMOS MAIS.

Rogéria Cássia dos Reis Nascimento é Secretária Geral do Sitesemg